Existem Pessoas

Olha só o que descobri:

Existem pessoas que vivem pensando no ontem. Desenterram defuntos, vivem como zumbis de mágoas e tristezas, criam seus próprios Frankenstein, e permanecem assombrados pelos erros dos outros, ou pior, pelos seus próprios. Parecem que caminham de costas para a vida, só lêem jornais da semana passada, estão permanentemente numa sala de espera de um consultório médico folheando revistas velhas. Vidas velhas, mesmo sem nunca terem vivido plenamente. Vivem assim porque escolheram olhar para trás e lançar âncoras no passado. Não perdoam, não esquecem, ruminam, e mesmo suas conquistas são para provar alguma coisa para o passado. É o passado que as motiva, ou desmotiva, para a vida. Aliás, vida sempre pesada, rancorosa, amarga, cheias de úlceras, dores de cabeça, solidão e lágrimas.

Com erros, sejam os nossos ou os dos outros, só se aprende, não se constrói nada. O passado é uma ilustração de como não deve ser o presente nem o futuro. As feridas cicatrizam, e a cicatriz é uma lembrança do que se aprendeu, do que se viveu, mas as feridas não são a vida. Alguns se autodenominam de prudentes explicando porque estão tão fechados, mas são na verdade, medrosos, cuja única segurança está na certeza da dor, e não na possibilidade da alegria.

Existem pessoas que vivem pensando no presente. Desrespeitam o passado, zombam dele, parecem nunca ter aprendido nada, vivido nada, crescido nada. Erguem suas vidas como castelos de cartas, sem nenhum alicerce, nem qualquer perspectiva de permanência. Desconsideram o futuro com irresponsabilidade, o seu futuro e o de qualquer outra pessoa. Vivem hoje, para morrer amanhã. A busca pelo prazer e pela satisfação imediata lhes leva todos os esforços, consome energia, desgasta relacionamentos, custa caro. São como fósforos, que só se usam uma vez.

São pessoas inúteis que nada constroem de permanente. Os impulsivos, imediatistas, são cometas, ou estrelas cadentes. Duram um segundo, e já ninguém se lembra deles. Ninguém é grato a quem só pensa no presente; não há nada para agradecer. Quem vive assim tem a ilusão de que está aproveitando a vida, mas na verdade só está aproveitando o dia. E a vida, como se sabe, não é só um dia.

Existem pessoas que vivem pensando no futuro. O que vão fazer, o que vão ser, o que vão dizer, o que vão ter. Nunca têm, nunca dizem, nunca são, nunca fazem. Os olhos postos no futuro, fantasiando uma vida que não lutam por obter. Assentam-se sobre as “promessas” como quem se assenta num tapete mágico; e esperam que meras palavras os façam voar. Mas, tapete mágico, como se sabe, não existe. Trocam de sonhos como quem troca de carro, ou trocam de sonhos a cada troca de carro. Para eles o presente é só uma ante-sala do futuro, que será, esse sim, muito bom. Empenham-se pelo futuro e o preço que pagam é o presente.

A vida na fantasia do futuro é um refúgio para quem não derrama suor no presente. Seja por apatia, alienação, medo ou preguiça. O acaso só explica “teoria da evolução” e não as conquistas da sua vida.

Existem pessoas que vivem pensando no passado, no presente e no futuro. São aqueles que aprenderam com o passado, aproveitam o presente e sonham com o futuro. Sabem que o futuro será tão maravilhoso quanto sua capacidade de ordenar os ensinos do passado com os quais edificam o presente. Não desprezam nem um nem outro. Respeitam a história tanto quanto escrevem uma nova. São pessoas que não estão presas nem ao que passou, nem ao que existe, muito menos ao que ainda não veio. Esses contribuem, colaboram, edificam. Buscam a cura das suas memórias, bem como a transformação de seus sonhos em realidade. Empenham seus esforços para marcar gerações, transformar corações, empreender boas ações, construir nações.

Chamo isso de “equilíbrio temporal”, tão importante quanto o metabolismo do seu corpo, ou o conjunto de suas verdades. Mas isso não se alcança plenamente no divã do analista, nem no banco da igreja. O equilíbrio temporal é resultado de quem convive com “aquele que era, que é, e que há de ser para sempre”. A intimidade com o Eterno, e a permissão para que Ele me construa e desconstrua, é a fonte da sabedoria e do poder para conseguir lidar com o tempo, em qualquer tempo.

Bom, isso foi o que descobri. Quem sabe você descobre outras coisas…

Que o Eterno abençoe você!

Um abraço,

Rawlinson


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